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14 set / 13:00

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15 set - 13 out / 2002

temporada de projetos

Laura Belém

Coreografia para figuras infláveis

Parece que todas as coisas do mundo, construídas ou não pelo homem, suportam mais significados do que aqueles que as definem e mais funções do que aquelas que desempenham sem nenhum esforço. E cabe, agora sim, sempre ao homem, a tarefa de encontrar essas outras verdades latentes. Talvez o homem seja antes um observador, um detector de pulsões e potências, do que um inventor. Ou talvez o invento não esteja em lascar ou polir uma pedra até chamá-Ia roda, mas em notar como uma pedra, já redonda de tão gasta pelo tempo e pela água, roda mais rápido que um paralelepípedo desliza pela mesma encosta. Talvez sejam seus olhos, e os nervos que a partir deles atingem o cérebro, o que distancia o homem dos outros animais, e não o polegar opositor, como se pensa.

Assim é também na arte, na dança, na literatura ou no teatro. Trata-se, antes, de notar como os gestos e movimentos se constroem e projetam, como as causas determinam os efeitos e as narrativas se formam e se contam, como as pessoas e as coisas se portam durante o dia e à noite. Pode ser o resultado de um treino, essa capacidade de encontrar nas coisas possibilidades diversas às suas primeiras vocações e surpreender-se com o funcionamento habitual de todos os órgãos e engrenagens. Mas muitas vezes é preciso um olhar estrangeiro, um olhar à procura de diferenças e diferenciais, para perceber e destacar uma ou outra coisa de um contexto que, quando distraídos pela repetição dos hábitos, nos parece uniforme. Um olhar estrangeiro como o que conseguimos carregar quando viajamos e paramos a fotografar guindastes, hidrantes, gatos e as texturas das calçadas. Ou quando recebemos alguém de outra língua que repara e nos faz reparar no tamanho dos outdoors, no movimento insistente de infláveis publicitários, nas cores predominantes entre nossos cães vira-latas.

Muitas vezes um gesto simples e direto de colagem, a escolha e a ação de extrair e recontextualizar algo já existente, tem força suficiente para transferir a outros essa surpresa, esse olhar vagaroso e atento para a parcela de realidade escolhida. E isto não só enquanto esses elementos se mostram isolados, mas também depois, quando nos deparamos com ele de novo, nos percursos e encontros cotidianos. Mais ainda - e isto sim, é importante -, o gesto que seleciona e destaca serve para nos fazer notar, justamente, a gravidade e a importância dessa ressignificação da realidade, que nossos olhos e nervos são capazes de operar sempre que Ihes damos tempo.

acompanhamento crítico

Carla Zaccagnini

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14 set / 13:00

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15 set - 13 out

temporada de projetos

sobre o artista

Formou-se bacharel em artes pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 1996) e mestre em artes plásticas pelo Central Saint Martins College of Art, Londres (2000). Desde 1998, vem participando de exposições no Brasil e no exterior. Dentre as exposições já realizadas destacam-se a individual na Galeria Luisa Strina (2011), e as Bienais de Liverpool (2010) e de Veneza (2005). Laura recebeu o Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas 2011-12 e foi contemplada na 1ª e na 2ª Edição do Prêmio Mostras de artistas no exterior / Programa Brasil Arte Contemporânea da Fundação Bienal de São Paulo e do Ministério da Cultura.

visitação

De 15 de setembro a 13 de outubro de 2002

abertura

14 de setembro - 13:00 horas

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